O Lupanar

 

Ah! Por que monstruosíssimo motivo

Prenderam para sempre, nesta rede,

Dentro do ângulo diedro da parede,

A alma do homem polígamo e lascivo?!

 

Este lugar, moços do mundo, vede:

É o grande bebedouro coletivo,

Onde os bandalhos, como um gado vivo,

Todas as noites vêm matar a sede!

 

É o afrodístico leito do hetaírismo,

A antecâmara lúbrica do abismo,

Em que é mister que o gênero humano entre,

 

Quando a promiscuidade aterradora

Matar a última força geradora

E comer o último óvulo do ventre!


Autor: Augusto dos Anjos (1884 – 1914)

Editado por: nicoladavid

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