Insânia de um simples

 

Em cismas patológicas insanas,

É-me grato adstringir-me, na hierarquia

Das formas vivas, à categoria

Das organizações liliputianas;

Ser semelhante aos zoófitos e às lianas,

Ter o destino de uma larva fria,

Deixar enfim na cloaca mais sombria

Este feixe de células humanas!

E enquanto arremedando Eolo iracundo,

Na orgia heliogabálica do mundo,

Ganem todos os vícios de uma vez,

Apraz-me, adstrito ao triângulo mesquinho

De um delta humilde, apodrecer sozinho

No silêncio de minha pequenez!

Autor: Augusto dos Anjos (1884 – 1914)

Editado por: nicoladavid

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