Idealização da humanidade futura

 

Rugia nos meus centros cerebrais

A multidão dos séculos futuros

— Homens que a herança de ímpetos impuros

Tornara etnicamente irracionais!

Não sei que livro, em letras garrafais,

Meus olhos liam! No húmus dos monturos,

Realizavam-se os partos mais obscuros,

Dentre as genealogias animais!

Como quem esmigalha protozoários

Meti todos os dedos mercenários

Na consciência daquela multidão...

E, em vez de achar a luz que os Céus inflama,

Somente achei moléculas de lama

E a mosca alegre da putrefação!


Autor: Augusto dos Anjos (1884–1914)

Editado por: nicoladavid

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