Decadência

 

Iguais às linhas perpendiculares

Caíram, como cruéis e hórridas hastas,

Nas suas 33* vértebras gastas

Quase todas as pedras tumulares!
 

A frialdade dos círculos polares,

Em sucessivas atuações nefastas,

Penetrara-lhe os próprios neuroplastas,

Estragara-lhe os centros medulares!
 

Como quem quebra o objeto mais querido

E começa a apanhar piedosamente

Todas as microscópicas partículas,
 

Ele hoje vê que, após tudo perdido,

Só lhe restam agora o último dente

E a armação funerária das clavículas!

Autor: Augusto dos Anjos (1884 – 1914)

Editado por: nicoladavid

*-deve ler: trinta e três

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