A Um Mascarado

 

Rasga essa máscara ótima de seda

E atira-a à arca ancestral dos palimpsestos...

É noite, e, à noite, a escândalos e incestos

É natural que o instinto humano aceda!

Sem que te arranquem da garganta queda

A interjeição danada dos protestos,

Hás de engolir, igual a um porco, os restos

Duma comida horrivelmente azeda!

A sucessão de hebdômadas medonhas

Reduzirá os mundos que tu sonhas

Ao microcosmos do ovo primitivo...

E tu mesmo, após a árdua e atra refrega,

Terás somente uma vontade cega

E uma tendência obscura de ser vivo!

Autor: Augusto dos Anjos (1884 – 1914)

Editado por: nicoladavid

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