"Portugal"


Portugal, meu país, ó meu berço doirado,
Que fada te fadou assim tão bem fadado?!
 

Morenas...
Trigueiras... Ceifeiras...
Trigais...

    Ó jardim das laranjeiras...

    Ó país dos laranjais!
 

Terra das lindas cantigas e de amorosos segredos Onde se apertam os dedos e coram as raparigas.
 

Onde mulheres formosas,

Voluptuosas,

Desejosas

De desejos

e de beijos

Sensuais,

Sentem pular-lhes o pé

Para carícias brejeiras,

Para... bem sabeis o quê,

Bem sabeis, não digo mais!

    Ó jardim das laranjeiras...

    Ó país dos laranjais! 

Terra dos apaixonados,

E dos valentes soldados...

    Linda tropa... linda tropa...

    Que ao morrerem na batalha

    Beijam primeiro a bandeira

    Que há-de ser sua mortalha.

    Linda tropa... linda tropa...

    Pátria: — botão de roseira,
Posto à botoeira da Europa!
 

Outrora no tempo moiro,
Certa moirinha encantada,
Erguendo ao ar seu tesoiro
Que era o condão de uma fada,
Brada assim:

«Linda terrinha eu te agoiro
Encantamentos sem fim,

Um futuro a letras de oiro

Gravadas sobre o marfim!»

E logo no mesmo dia
E na mesma hora e minuto
Se cumpriu a profecia;
Vestiu oiro a cor do luto
E um certo sonho impoluto
Lindo país concebia
Que por obra de magia
Como o fruto de Maria
Bendito foi o seu fruto!
 

Portugal, meu País, ó meu berço doirado,
Que rada te fadou assim tão bem fadado?

Para carícias brejeiras,

Para... bem sabeis o quê,

Bem sabeis, não digo mais!

    Ó jardim das laranjeiras...

    Ó país dos laranjais! 

Terra dos apaixonados,

E dos valentes soldados...

    Linda tropa... linda tropa...

    Que ao morrerem na batalha

    Beijam primeiro a bandeira

    Que há-de ser sua mortalha.

    Linda tropa... linda tropa...

    Pátria: — botão de roseira,
Posto à botoeira da Europa!
 

Outrora no tempo moiro,
Certa moirinha encantada,
Erguendo ao ar seu tesoiro
Que era o condão de uma fada,
Brada assim:

«Linda terrinha eu te agoiro
Encantamentos sem fim,

Um futuro a letras de oiro

Gravadas sobre o marfim!»
 
E logo no mesmo dia
E na mesma hora e minuto
Se cumpriu a profecia;
Vestiu oiro a cor do luto
E um certo sonho impoluto
Lindo país concebia
Que por obra de magia
Como o fruto de Maria
Bendito foi o seu fruto!
 

Portugal, meu País, ó meu berço doirado,
Que rada te fadou assim tão bem fadado?
 

Portugal lembra o soldado...

    A ovelha... o vale... a bolota..

   Lembra uma linda minhota
Com o seu trajo encarnado...

    Lembra o cedro e o rouxinol..

    Um Desejo que não cansa...

   Um chapéu de palha ao Sol...

    Lembra uma linda lembrança!..

   Lembra certas fazendeiras
Dando ao seu gado os bons dias.

    Lindas de lindas maneiras...

    Procissões e romarias...

    Lembra foguetes, bandeiras...

    Lembra Maneis e Marias!...

    Lembra uma rubra alvorada...

   E lembra uns tristes amores...

   Lembra um punhado de flores
No colo da minha amada!

   Lembra o arado
Puxado

Por bois mansos e pacientes...

   Lembra a campónia a espalhar
Por sobre o solo as sementes
Que tira ao seu avental...

   Lembra a ti'Ana a fiar
A porta do seu casal
 

N'um gesto todo simpleza,

De mão tão enrugadinha

Mas tão cheia de destreza,

Linho branco, linho fino,

Linho que cheira tão bem!...


…………………

O Portugal, meu menino!
No berço da natureza

No colo da minha Mãe!
 

Morenas...
Trigueiras...
Ceifeiras... Trigais!...

    Ó jardim das laranjeiras...

    Ó país dos laranjais!

 

 

Autor: Augusto de Santa Rita (1888-1956)
Editado por: nicoladavid


Comments