"Por Morte do Poeta"



Quando eu morresse, assim que eu expirasse,
Despissem-se de rosas as roseiras
E um Anjo de mansíssimas maneiras,
Para os céus, a sorrir, de mim voasse.

 

Subissem misteriosos ais à face
Dos lagos e do mar e das ribeiras...
Cantasse um rouxinol entre as balseiras,
Canto que a noite toda impressionasse!

 

Canto que de Mistério tudo ungisse,
Canto que enchesse tudo de respeito,
Um canto estranho que inda não se ouvisse!

 

E quando o meu caixão surgisse à porta...
E ao deporem-me as mãos em cruz no peito,
O meu Amor! caísses também morta!

 

 

Autor: Augusto de Santa Rita (1888-1956)
Editado por: nicoladavid




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