Velha Fazenda

 

Vi na extensão de um vale ermo e profundo,

A que o sol da manhã com a luz feria,

Montão de estroços, desabado mundo,

 

Roto arcabouço, rota escadaria,

Inúteis rotas máquinas, e em roda

Prostrados muros. Sobre a ruinaria,

 

— Troféu do excídio, dominando-a toda,

Com férreos dentes a morder o estrago,

Jazia escura desmontada roda.

 

— “Velho, que vem a ser aquilo?”indago,

Olhando o esbrôo. Respondeu: — “Daquelas

Ruínas no coração a imagem trago. [...]

 

Autor: António Mariano Alberto de Oliveira (1857 – 1937)
Editado por: nicoladavid

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