Vaso Chinês

 

Estranho mimo aquele vaso! Vi-o,

casualmente, uma vez, de um perfumado

contador sobre o mármor luzidio,

entre um leque e o começo de um bordado.

 

Fino artista chinês, enamorado,

nele pusera o coração doentio,

em rubras flores de um sutil lavrado,

na tinta ardente, de um calor sombrio.

 

Mas, talvez por contraste à desventura,

quem o sabe?.., de um velho mandarim

também lá estava a singular figura;

 

que arte em pintá-la! a gente acaso vendo-a,

sentia um não sei quê com aquele chim

de olhos cortados à feição de amêndoa.

 

Autor: António Mariano Alberto de Oliveira (1857 – 1937)
Editado por: nicoladavid

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