Subi da Pedra Açu ao cimo

 

Subi da Pedra Açu ao cimo, e de lá pude

Ver toda a Natureza.

Quanta beleza!

Desde Itaboraí com o seu pequeno outeiro

Vi até longe, ao mar, essa planície rude,

Onde nos capinzais

Voa o bico-rateiro

E a garça espalma e agita as asas triunfais.

 

Vi fazendas com os seus torreões de pedra erguidos,

E casas de vivenda;

Cada fazenda

As estradas e o campo atroando com os gemidos

De seus carros de bois carregados de canas.

Sob um leve vapor,

Senzalas e choupanas

Vi... e as roças de milho, e os laranjais em flor.

 

E as cercas onde pia o anu-do-brejo, e a mata

Onde a inambu se espanta,

Se esvoaça e canta,

Vi. E os olhos baixando à casa que Elza habita,

Vi a pedra da gruta, ouvi mesmo a cascata

Que há naquele lugar,

E a música infinita

Das águas e do vento e das abelhas no ar.

 

Vi tudo, tudo ouvi. E que desejo imenso

De tudo vendo, vê-la

Também a ela,

Lá embaixo na varanda a me acenar com o lenço!

E tão só para isso, a esbaforir-me de ânsia,

Eu ao cimo subi

Da Açu, de onde à distância

Tanta cousa formosa extasiado vi!

 

Autor: António Mariano Alberto de Oliveira (1857 – 1937)
Editado por: nicoladavid

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