Que ânsia de amar

 

Que ânsia de amar! E tudo a amar me ensina!

A fecunda lição decoro atento,

Já com liames de fogo ao pensamento,

Incoercível desejo ata e domina.

 

Em vão procuro espairecer ao vento

Olhando o céu, o morro, a campina.

Escalda-me a cabeça e desatina,

Bate-me o coração como um tormento.

 

E sorrindo ardente e vaporosa

Por ela, a ainda velada, a misteriosa

Mulher que nem conheço, aflito chamo.

 

E sorrindo-me ardente e vaporosa

Sinto-a vir - vem-me em sonho, une-me ao seio

Junta o rosto ao meu rosto e diz-me “Eu te amo!”.

Autor: António Mariano Alberto de Oliveira (1857 – 1937)
Editado por: nicoladavid

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