Plenilúnio de Maio

 

Este luar que se levanta

D’além, das bandas do mar,

E tanta poesia, tanta

Vem com as asas a espalhar,

 

Dá-me não sei que saudade!

Vou longe com o pensamento,

Lá onde da mocidade

Soltei as rosas ao vento.

 

Em noite assim — por céu frio

Brilhava este mesmo luar!

Numa barca escura um rio

Desci com alguém a cantar.

 

Lembram-me os ramos pendidos

Que sobre a água se enlaçavam,

E os abraços repetidos

Que os braços dela me davam.

 

Lembram-me os cipós com os elos

Floridos, trançados no ar,

E os seus compridos cabelos

Banhados de orvalho e luar.

 

Lembram-me os dormentes lumes

De seus olhos, e suspensa

A dança dos vagalumes

No escuro da mata imensa.

 

Autor: António Mariano Alberto de Oliveira (1857 – 1937)
Editado por: nicoladavid

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