O Missal do Poente

 

Morre o Sol, morre o Sol. Que agonizar violento!

O Céu tinto de sangue, assim como um sudário:

Todas as plantas estremecem como ao vento,

Faz um silêncio perturbante, extraordinário!

O roxo Céu e a gangrena do Sol poente:

Breve a Noite armará sua câmara-ardente,

Ficarão de vigília Astros, constelações!

 

Há um Tísica em delírio, numa alcova:

Vê tudo em sangue como o Céu, gangrena, a cova,

O negro do caixão, os padres a rezar...

E enquanto morrem, ela e o Sol, dando-se as mãos,

No Céu, como em altar de templo de cristãos,

Ascende o Santo-Sacramento do Luar!

Autor: António Mariano Alberto de Oliveira (1857 – 1937)
Editado por: nicoladavid

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