Floresta convulsa

 

Floresta de altas árvores, escuta:

Em minha dor vim conversar contigo;

como no seio do melhor amigo,

descanso aqui de tormentosa luta.

 

Troncos da solidão intata e bruta,

sabei... Ah! que, porém, como um castigo

vos estorceis, e o som do que vos digo

vai morrer longe em solitária gruta.

 

Que tendes, vegetais?... Remorso?... Crime?.

Açoita-vos o vento, como um bando

de fúrias e anjos maus, que nós não vemos?

 

Mas explicai-vos ou primeiro ouvi-me,

que a um tempo assim braceando, assim gritando,

assim chorando não nos entendemos...

 

Autor: António Mariano Alberto de Oliveira (1857 – 1937)
Editado por: nicoladavid

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