Flores Azuis

 

Flores azuis, e tão azuis! Aquelas

Que numa volta do caminho havia,

Lá para o fim do campo, onde em singelas

Brancas boninas o sertão se abria.

À ramagem viçosa, alta e sombria,

Presas, que azuis e vívidas e belas!

Um coro surdo e murmuro zumbia

De asas de toda espécie em torno delas.

Nesses dias azuis ali vividos,

Elas, azuis, azuis sempre lá estavam,

Azuis do azul dos céus de azul vestidos;

Tão azuis, que essa idade há muito é finda,

Como findos os sonhos que a encantavam,

E eu do tempo através vejo-as ainda!


Autor: António Mariano Alberto de Oliveira (1857 – 1937)
Editado por: nicoladavid

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