Crescente de Agosto

 

Alteia-se no azul aos poucos o crescente,

o ar embalsama, os cirros leva, o escuro afasta;

vasto, de extremo a extremo, enche a alameda vasta

e emborca a urna de luz nas águas da corrente.

 

Na escumilha da teia, onde a aranha indolente

dorme, feita de orvalho, uma pérola engasta.

Faz aos lírios mais branca a flor cetínea e casta,

mais brancos os jasmins e a murta redolente.

 

Faz chorar um violão lá não sei onde... (A ouvi-lo,

na calada da noite um não-sei-quê me invade).

Faz que haja em tudo um como estranho espasmo e enlevo;

 

faz as coisas rezar, ao seu clarão tranqüilo,

faz nascer dentro em mim uma grande saudade,

faz nascer da saudade estes versos que escrevo.

 

Autor: António Mariano Alberto de Oliveira (1857 – 1937)
Editado por: nicoladavid

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