Contraste

 

Junto à pedra da estreita sepultura,

Onde o último sono agora goza

Um anjo, a mãe curvada e triste, ansiosa,

As mãos torcendo, uma oração murmura.

 

O mudo cemitério em luz de encanto

Orna-se e veste e os últimos amores

Cobre de lírios com o bordado manto...

 

E a terra, a grande mãe, as fundas dores

De outra mãe desconhece e, vendo-a em pranto,

Em vez de em pranto abrir-se, – abre-se em flores.

 

Autor: António Mariano Alberto de Oliveira (1857 – 1937)
Editado por: nicoladavid

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