Caminho da Saudade

 

Iam vinte anos desde aquele dia,

Em que com os meus, da terra onde nascera,

Adolescente ainda, eu me partia.

 

O que não dera então, o que não dera

Ainda hoje por tornar atrás comigo,

Entrar-lhe os campos, ser o mesmo que era!

 

Lá me ficava com seu tecto amigo

A velha casa, a várzea verde em flores,

E verde em flores o pomar antigo;

 

E o engenho, a encher aqueles arredores

Com o seu bufido, com o bater pausado

Das pás cantantes dos ventiladores;

 

Tudo quanto em menino havia amado,

E em que minh’alma nova, a abrir-se, rindo,

Tinha parte de si talvez deixado,

 

Em vôo, ao pé do rio, às voltas indo,

Em vôo, em cada moita, airada e inquieta,

Qual das asas o pó dourado e lindo

 

Deixa por onde passa, a borboleta.

 

Autor: António Mariano Alberto de Oliveira (1857 – 1937)
Editado por: nicoladavid

 
 
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