Afrodite

 

Cabelo errante e louro, a pedraria

Do olhar faiscando, o mármore luzindo

Colorido do peito – nua e fria,

Ela é a filha do mar, que vem sorrindo.

 

Embalaram-na as vagas, retinindo,

Ressoantes de pérolas – sorria

De vê-la o golfo, se ela adormecia

Das grutas de âmbar no recesso infindo.

 

Vede-a: veio do abismo! Em roda, em pêlo

Nas águas, cavalgando onda por onda

Todo o mar, surge um povo imenso e belo.

 

Vêm a saudá-la todos, revoando,

Golfinhos e tritões, em larga ronda,

Pelos retrorsos búzios assoprando.

 

Autor: António Mariano Alberto de Oliveira (1857 – 1937)
Editado por: nicoladavid

Comments