A Galera de Cleópatra

 

Rio abaixo lá vai, de proa ao sol do Egito,

A galera real. Cinquenta remos lestos

Impelem-na. O verão faz rutilar, aos estos

Da luz, de um céu de cobre o horizonte infinito.

 

Pesa, qual se de chumbo, o ar circundante. Uns restos

De templo ora se vêem, lembrando um velho rito;

E ainda um pilão erguido, uma Esfinge em granito

De empoeirada figura e taciturnos gestos.

 

De quando em quando à flor do Nilo de destaca

D’água morna emergindo, a escama de um facaca;

Um branco íbis revoa entre os juncais. Entanto,

 

Numa sorte de naos Cleópatra procura

Su’alma distrair, prestando ouvido ao canto

Que a escrava Charmion tristemente murmura.

 

Autor: António Mariano Alberto de Oliveira (1857 – 1937)
Editado por: nicoladavid

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