Gravura de Natal


Olhai a gravura que um prego sustém 
Na escura parede da casa aldeã: 
Menino tão lindo só Este, em Belém, 
Ao colo da Rosa da Eterna Manhã. 

Em torno se curvam os reis e os pastores: 
Oferecem-Lhe humildes e ricos presentes! 
Os anjos Lhe entoam celestes louvores! 
Por coroa, um rebanho de estrelas cadentes! 

Em tosca peanha de pinho, uma vela 
Acende as cores mansas da ingénua gravura. 
E a jarra da alegre faiança amarela 
É festa de aromas de flores e verdura. 

Diante da estampa sagrada, uma prece 
Estreita as mãozitas há pouco em labor. 
Jesus pequenino, olhai, que parece 
Lançar-lhes a bênção da paz e do amor. 

(São dadas as doze na torre do sino: 
Os flocos de neve são flocos de lã. 
Nasceu, num presépio, o Filho divino 
Do ventre da Rosa da Eterna Manhã!) 

Autor: António Manuel Couto Viana (1923-2010)
Editado por: nicoladavid


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