Cada Natal recordo os meus Natais


Cada Natal recordo os meus Natais 
Da infância, feitos de imaginação 
E de tão pouco mais. 
(Sei bem que me destrói a confissão) 

Não tinham neve. Eram de chuva fria. 
O Menino Jesus da loja dos brinquedos 
Nunca podia dar-me o que eu pedia. 
(Só tu me ajudas, Poesia, 
A libertar segredos!) 

E eu pedia a lapinha de Belém 
Sem bonecos de barro coloridos: 
Onde nascesse alguém 
Real e com os braços estendidos. 

Alguém que fosse Deus ou eu 
Concluso, enfim. 
E habituei-me à festa ser no Céu 
E não em mim. 

Autor: António Manuel Couto Viana (1923-2010)
Editado por: nicoladavid


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