"Tristíssima"


N'um país longe, secreto,
Lendária ilha afastada,
Jaz todo o dia sentada
N'um trono de mármore preto.

No seu palácio esculpido
Não entram constelações;
Os tectos dos seus salões
São todos d'ouro polido!

Nas largas escadarias
Sobem vassalos ao cento,
De noite soluça o vento
N'aquelas tapeçarias.

E pelas largas janelas
Fechadas, sempre corridas,
Há flores desconhecidas
Que não olham as estrelas.

Na dextra segura um cálix,
- Cálix da Dor e da Magoa!
Onde está contida a agua
E o sangue dos nossos males!

Pelas florestas sozinhas
Escuras, sem rouxinóis,
Erram chorando os Heróis,
E as desgraçadas Rainhas.

Seguida, á noite, de servas,
Caminha, em cortejo mudo,
Rojando o negro veludo
De seu cabelo nas ervas.

Somente ao vê-la passar
Ficam as almas surpresas;
- Há todo um mar de tristezas
No abismo do seu olhar!


 


Autor: António Gomes Leal
Editado por: nicoladavid
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