"Pregões Matinais"

Passo às vezes na cama um dia inteiro

De papo para o ar, como um madraço ...
Fumando qual filósofo ou palhaço,

¾ Sem mulher... sem cuidados... sem dinheiro!

É de manhã então que me é fagueiro
Ouvir trinar no cristalino espaço

Um pregão mais macio que um regaço,
Que se esvai a carpir... como um boieiro...

De manhã é que passa a leiteirinha,
Com seu pregão chilrado de andorinha,
Passam varinas de gargantas sãs...
E ao escutar tais cantantes semifusas,

Eu creio que oiço ao longe as frescas Musas,
¾ A vender uvas e à pregoar maçãs.

 

 

Autor: António Gomes Leal (1848-1921
Editado por: nicoladavid

Não esqueça ligar o som.

Comments