Carta às Estrelas

 

Ninguém soletra mais vossos mistérios 
Grandes letras da Noute! sem cessar... 
Ó tecidos de luz! rios etéreos, 
Olhos azuis que amoleceis o Mar!... 

O que fazeis dispersas pelo ar?!... 
E há que tempos há já, fogos sidéreos, 
Que ides assim como uns brandões funéreos 
Que levais o Deus Padre a sepultar?! 

Há que tempos, dizei! - Há muitos anos? ... 
E, com tudo, astros santos, desumanos, 
A vossa luz é sempre clara e igual! 

Há muito, que sois bons, castos, brilhantes!... 
Mas, também... ó cruéis! sempre distantes... 
Como dos nossos braços o Ideal! 

Autor: Gomes Leal (1848-1921)
Editado por: nicoladavid

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