Para Alem da Trafaria


- Minha mãe, haverá mundo para além da Trafaria?

- Não sei, meu filho. Não sei.

Tudo aquilo que sabia já no meu sangue te dei.

- Que serras são estas, mãe, que não nos deixam ver nada?

- São rugas que a Terra tem.
Não maces a tua mãe. Deixa-me estar descansada.

- O mãe, que rio é aquele?
Onde nasce e onde morre?

- Ó filho, é Deus que o impele.
Entretêm-te a olhar para ele. É um rio. Tem água. Corre.

- Quando eu for crescido, mãe, Quero saber e entender.

O filho, o supremo bem é cada qual, com o que tem, resignar-se e agradecer.

 

Deus faz tu do pelo melhor.
Não se engana nem se esquece, de todo o mal, o maior, seria sempre pior se Deus assim o quisesse. Ninguém foge ao seu destino. Está tudo determinado. Não penses com desatino.
Dorme, dorme, meu menino, Um soninho descansado.



Autor: António Gedeão (1906-1997)
Editado por: nicoladavid

Comments