Ode Metálica


Bailemos, homens, bailemos.

Com festões engrinaldemos

as mãos que forjam metais.

Nossos troncos reluzentes

à luz dos fornos candentes

como bronzes triunfais.

Bailemos, homens, bailemos.

E a plenos pulmões gritemos

a sinfonia estridente

das bigornas do ferreiros,

das chapas dos caldeireiros,

das limas dos limadores,

dos maços dos batedores,

das serras dos serralheiros,

das tenazes dos fogueiros,

das correias dos motores,

das brocas dos brocadores,

dos cadinhos dos forneiros,

das pinças dos caldeadores,

todos, à uma, bailemos,

frenéticos tangedores,

troncos nus e reluzentes

à luz dos fornos candentes,

orquídeas de furta-cores,

rubros vermelhos e brancos,

bailemos todos, bailemos

como doidos saltimbancos,

bailemos e entoemos,

a plenos pulmões berremos

sinfonias estridentes,

chispemos, esparrinhemos

centelhas incandescentes,

e em girândola elevemos

nossos rostos como tochas,

nossos braços como asas,

filhos da escória e das rochas,

irmãos do fogo e das brasas.

 

Autor: António Gedeão (1906-1997)
Editado por: nicoladavid


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