Canção do oboé


Habita no meu sangue como um solo de oboé.
Inexistente e imaginada
é toda feita de nada
mas necessária como o ar que não se vê.

Com os pés alados das semicolcheias
que extravasam da pauta,
baila no estrado olímpico das veias,
descontraída, turbulenta, incauta.

Oiço-a acordado e sinto-a adormecido
nas ondas largas que no sangue vão
como o transístor que se encosta ao ouvido
e apenas ouve quem o tem na mão.


Autor: António Gedeão (1906-1997)
Editado por: nicoladavid


Comments