"Entre Pinheiros e Ciprestes"


Entre pinheiros e ciprestes

Fundi em lágrimas os olhos...
Onde estais vós, almas celestes,
Que entre pinheiros e ciprestes
Em vão procuram os meus olhos?

 

 

Na terra fria aqui descansam

Os corações que tanto amei...

Mas os meus braços não alcançam
N a terra fria em que descansam
Os corações que tanto amei.

 

Às vezes ponho o ouvido atento

A ver se os ouço ainda bater...
Mas só me fala a voz do vento
Sempre que ponho o ouvido atento
A ver se os ouço ainda bater...

 

Eles que sempre e a toda a hora
Tão nobremente palpitaram...

E já nem sombra resta agora

Deles que sempre e a toda a hora
Tão nobremente palpitaram!

 

Mas todo o amor, toda a bondade,
Que em vida as almas enobrece,
Torna a ser luz na imensidade,
Irradiação de amor, bondade,

Que em vida as almas enobrece… 

 

E nessa luz, a alma que chora

Dum brilho augusto se ilumina,
Como uma esp'rança ou uma aurora,
Em cuja luz a alma que chora

Dum brilho augusto se ilumina...

 

E ao nosso olhar, de entre ciprestes,
Estrelas novas aparecem...

Sois vós, talvez, almas celestes,
De entre pinheiros e ciprestes,
Essas estrelas que aparecem...

 

 

 

Autor: António Feijó (1859-1917)
Editado por: nicoladavid

Não esqueça ligar o som.
 
Comments