"O Forno"



São dois palmos de tecto, abrindo em asa
Sobre toda a família. Mas, em torno,

A terra é farta: e, dentro, enorme, o forno,

Em ar de templo, e dominando a casa.

Ele é que mede os campos, rasa a rasa.
Vão-no aquecer: há um ar cheiroso e morno.
Entre montanhas de urzes e de piorno,
Lembra, na sombra, uma caverna ~m brasa.

Leveda o pão, no bojo da masseira.
A lenha voa, aos braços da forneira;
Riem crianças, ajudando à lida.

Lá fora, a noite; canta um rouxinol.
E o fogo diz: - «Eu sou ainda o sol!»-
E diz o pão: - «Sou mais ... Vou ser a vida!»

 

Autor: António Corrêa  D’Oliveira
Editado por: nicoladavid




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