"Filho Pródigo"


Um homem que amava
a seus filhos de igual maneira,
Tinha casa e fazendas,
Muitas riquezas e madeira.

Tudo o que tinha era deles,
Não fazia distinção,
Veio porém, um mau dia,
Em que o mais novo dizia,
Dá-me a minha parte,
Quero a divisão.

O pobre pai emudeceu,
E com o coração ferido,
A fazenda dividiu.
Toma! Aqui está o que é teu,
Juntou tudo, e partiu.

Numa terra distante,
Vivendo dissolutamente,
Gastou tudo cegamente,
Até sem nada ficar.
A sua vida abastada,
Longe de ser controlada,
Leva-o agora a mendigar.

Chegou-se a um cidadão,
Pois queria trabalhar;
Porcos lhe mandam guardar,
Pois nada mais sabe fazer,
E para sua fome matar,
Bolotas tem de comer.
Comendo bolotas, pensa então,
Mas pensa como outro homem,
Os trabalhadores de meu pai,
Têm abundância de pão,
E eu aqui morro de fome.

Arrependido e humilhado,
Quer voltar para seu pai,
Pensa em pedir perdão,
Quer voltar a ter pão,
Nem que seja como criado.

Perdoa-me pai querido,
Porque muito eu errei,
Eu estou arrependido,
Por te ter ofendido,
Para tua casa voltei.

Levanta os olhos e viu,
Viu seu filho perdido,
Movido de compaixão,
Corre para o abraçar,
Porque há muito que não o via,
Pediu anel para sua mão,
E sapatos para calçar,
Matou o bezerro cevado,
Era tempo de alegria.

Autor: António Jesus Batalha
Editado por: nicoladavid


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