A Um Desmaio


Contra Flora aos suspiros fugitiva
O Amor em um delíquio se conjura,
Muda-se o vivo fogo em neve pura,
Mas mais aquela neve o fogo aviva:
Até no paroxismo almas cativa
Desmaiada a mais bela formosura,
Nos embargos da vida ainda lhe dura
O rigor, em sinal de que era viva.

Sylvio, que aflige a ele, e a Flora adora
Trazendo-a no peito retratada,
Com um desmaio outro desmaio chora;
Mas não foi maravilha desusada,
Se a bela cópia se desmaia em Flora,
Que se desmaie em Sylvio a copiada.


Autor: António Barbosa Bacelar (1610 – 1663)
Editado por: nicoladavid

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