À variedade do mundo


Este nasce, outro morre, acolá soa 
Um ribeiro que corre, aqui suave, 
Um rouxinol se queixa brando e grave, 
Um leão c'o rugido o monte atroa.

Aqui corre uma fera, acolá voa 
C'o grãozinho na boca ao ninho duma ave, 
Um demba o edifício, outro ergue a trave, 
Um caça, outro pesca, outro enferoa.

Um nas armas se alista, outro as pendura 
Ao soberbo Ministro aquele adora, 
Outro segue do Paço a sombra amada,

Este muda de amor, aquele atura. 
Do bem, de que um se alegra, o outro chora... 
Oh mundo, oh sombra, oh zombaria, oh nada!


Autor: António Barbosa Bacelar (1610 – 1663)
Editado por: nicoladavid

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