"Sem eu as Pressentir"

 

Sem eu as pressentir,

mas já na febre e no desejo,

sinuosos sinais, frechas intermitentes,

interrompem a sombra, negam o meu silêncio.

 

Afluem, mas são lâminas e traços

Que a mão inscreve. Não o liso

curso que amanhece. Um intervalo

na luz. Em sucessivos

arranques, os membros se reúnem

ou dispersam.

 

Mas se noite e luz reúnem

ferindo de surpresa

negam o muro que inscrevem

a própria muro que são

e que atravessam.

 

Nada se dilui, pois tudo recomeça.

 

 

 

Autor: António Ramos Rosa
Editado por: nicoladavid

 

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