"O Arco, E Logo, A Folha Alta"

 

O arco, e logo, a folha alta.

o dia. O espaço,

o silêncio, um bloco transparente.

A casa vive o que eu escrevo,

e a margem branca (intransponível)

é o corpo que eu não sei,

vivo na claridade.

 

Um corpo, digo, não um cristal.

Que permanece, ainda que eu hesite

ou falhe ou recomece. E longamente

se abre, no dia, o arco, e a mão que o perde.

Só uma distância, ou o desejo, o quer.

Mas onde e quando, enquanto existe?

A vulnerada folha não o rasga.

O corpo, no horizonte, dura, intacto.

 

 

 

Autor: António Ramos Rosa

Editado por: nicoladavid

 

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