Transcendentalismo

 

Já sossega, depois de tanta luta.
Já me descansa em paz o coração.
Caí na conta, enfim, de quanto é vão
O bem que ao Mundo e à Sorte se disputa.

 

Penetrando, com fronte não enxuta.
No sacrário do templo da Ilusão,

Só encontrei com dor e confusão.

Trevas e pó, uma matéria bruta…

 

Não é no vasto Mundo — por imenso

Que ele pareça à nossa mocidade —

Que a alma sacia o seu desejo intenso...

 

Na esfera do invisível, do intangível.

Sobre desertos, vácuo, soledade.

Voa e paira o espírito impassível!

 

 

Autor: Antero de Quental (1842-1891)
Editado por: nicoladavid

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