Redenção

 

Vozes do mar, das árvores, do vento!

Quando às vezes, num sonho doloroso,

Me embala o vosso canto poderoso,

Eu julgo igual ao meu vosso tormento...

 

Verbo crepuscular e íntimo alento

Das coisas mudas; salmo misterioso;

Não serás tu, queixume vaporoso,

O suspiro do Mundo e o seu lamento?

 

Um espírito habita a imensidade:

Uma ânsia cruel de liberdade

Agita e abala as formas fugitivas.

 

E eu compreendo a vossa língua estranha.

Vozes do mar, da selva, da montanha...

Almas irmãs da minha, almas cativas!

 

Autor: Antero de Quental (1842-1891)
Editado por: nicoladavid

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