Nirvana

 

Para além do Universo luminoso 
Cheio de formas, de rumor, de lida, 
De forças, de desejos e de vida,  
Abre-se como um vácuo tenebroso.
 
A onda desse mar tumultuoso 
Vem ali expirar, esmaecida... 
Numa imobilidade indefinida 
Termina aí o ser, inerte, ocioso... 

E quando o pensamento, assim absorto, 
Emerge a custo desse mundo morto 
E torna a olhar as coisas naturais,
 
A bela luz da vida, ampla, infinita, 
Só vê com tédio, em tudo quanto fita, 
A ilusão e o vazio universais. 

Autor: Antero de Quental (1842-1891)
Editado por: nicoladavid

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