Mors Liberatrix

 

Na tua mão, sombrio cavaleiro,

Cavaleiro vestido de armas pretas,

Brilha uma espada feita de cometas,

Que rasga a escuridão como um luzeiro.

 

Caminhas no teu curso aventureiro,

Todo involto na noite que projectas...

Só o gládio de luz com fulvas betas

Emerge do sinistro nevoeiro.

 

— «Se esta espada que empunho é coruscante,

(Responde o negro cavaleiro-andante)

É porque esta é a espada da Verdade.

 

Firo, mas salvo... Prostro e desbarato,

Mas consolo... Subverto, mas resgato...

E, sendo a Morte, sou a Liberdade.»

 

Autor: Antero de Quental (1842-1891)
Editado por: nicoladavid

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