"Mors-Amor"

Esse negro corcel cujas passadas

Escuto em sonhos, quando a sombra desce,
E, passando a galope, me aparece

Da noite nas fantásticas estradas,

~ Donde vem ele? ~ Que regiões sagradas
E terríveis cruzou, que assim parece
Tenebroso e sublime, e lhe estremece
Não sei que horror nas crinas agitadas?

Um cavaleiro de expressão potente,
Formidável, mas plácido no porte,
Vestido de armadura reluzente,

Cavalga a fera estranha sem temor.

E o corcel negro diz: «Eu sou a Morte!»
Responde o cavaleiro: «Eu sou o Amor!»

 

Autor: Antero de Quental (1842-1891)
Editado por: nicoladavid

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