Comunhão

 

Reprimirei meu pranto!... Considera

Quantos, minha alma, antes de nós vagaram.

Quantos as mãos incertas levantaram

Sob este mesmo céu de luz austera!...

 

— Luz morta! amarga a própria Primavera!

— Mas seus pacientes corações lutaram,

Crentes só por instinto, e se apoiaram

Na obscura e heróica fé, que os retempera...

 

E sou eu mais do que eles? Igual fado

Me prende à lei de ignotas multidões. —

Seguirei meu caminho confiado.

 

Entre esses vultos mudos, mas amigos,

Na humilde fé de obscuras gerações,

Na comunhão dos nossos pais antigos.

 

Autor: Antero de Quental (1842-1891)
Editado por: nicoladavid

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