Transparências

 

Serenamente deitado no azul
envolto em pedras
deixo divagar a mente
pintora de momentos sossegados
escultora de súbitos instantes
e transparentes nús

entre brumas envolventes
vislumbro ilhas penduradas
no mar celestial das emoções
que o sol tranquilo asperge
de amarelos pachorrentos
para que tudo se transforme
no irreal sonhado

teu corpo lânguido
de mulher pressentida
no convés vaporoso de um navio
atravessa a aragem
como se fosse asa
leve brisa
um roçagar de lábios nos meus lábios sequiosos de ternura


na profunda transparência do desenho
a loucura o tamanho do desejo
o corpo inadiável do sonho


Autor: André Moa
José Guilherme Macedo Fernandes”
(1939-2011)
Editado por: nicoladavid

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