Sede

 

Sol e água terra mãe
sede e mágoa terra mártir

sol e água o mel escorre
sede e lágrima o homem corre
desérticas miragens com a sede
a morder-lhe os lábios
a erguer-lhe os braços
em delírios de naufrágio
a encher-lhe a boca ressequida
com esgares de oásis suplicados
até que sucumbe e morre
à beira d’água morre

enquanto a água mesmo poluída
naturalmente canta e corre alegremente canta e corre


Autor: André Moa “José Guilherme Macedo Fernandes” (1939-2011)
Editado por: nicoladavid

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