Rio homem

 

Do íntimo negrume da montanha
irrompe e rasga a terra
com ímpetos amnióticos de regresso
ao maternal e originário mar.

Em complexa agitação vital se multiplica
e logo o uno se faz múltiplo
e o indivíduo alcança dimensão universal.

No singular das águas o lago.
Na solidão estagnante o charco.
Na integração do todo em tudo
a justificação do rio
o esplendor da fúria e do caudal.

Para navegar a vida o homem
faz-se rio faz-se barco.
Amarrado ao leme ganha asas
e a dimensão de um deus
que sonha e se embriaga
com o azulado mosto do distante mar.

O rio homem dilui-se em humanidade
e faz-se ao mar.

Autor: André Moa
José Guilherme Macedo Fernandes”
(1939-2011)
Editado por: nicoladavid

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