Os atlantes

 

Na suspirada memória dos tempos
nos lendários mundos de outrora
nos alvores dos dias áureos
do ansiado reino da atlântida
deuses e homens
homens quase deuses
deuses quase homens
partilhavam céus e terra
percorriam lado a lado
os floridos caminhos da ventura
bebiam da mesma fonte
os eflúvios da vida
os perenes sabores
de um sentido afago
de um abraço terno
o imortal desejo do amor eterno

alvas túnicas cobriam os humanos corpos
rubras rosas cingiam as divinas criaturas
leite e mel brotavam naturalmente
nesses sonhados tempos de paz
e de abundância para toda a gente

em dia de nuvens ímpias o homem
rebelou-se contra a sua humana condição
e fez-se deus senhor e dono
do que era seu e do seu irmão

e toda a vida se desfez em lágrimas
e logo a terra inteira submergiu
num silêncio eterno num eterno sono
até que o homem reconquiste
a humana condição de ser
para todo o sempre
gente entre gente em tudo igual à flor
gente sem ódios homens sem mágoas
gente branda como o espírito das águas
homens puros como um rio cristalino
gente generosa como terra semeada
homens de corpo luminoso mente aberta coração desperto alma incendiada


Autor: André Moa
José Guilherme Macedo Fernandes”
(1939-2011)
Editado por: nicoladavid

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