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Madrugar...


tira-me da cabeça aquele velho tão frágil
que pergunta pelas horas
é uma da manhã
e está tudo fechado
até a pena está a cadeado
repito três vezes
antes do último metro
abro a porta e sento-me
não lhe dei nada
ele não me pediu nada
mas eu queria dar-lhe o momento
deve ter havido um momento
em que nunca mais se volta a casa
seriam então duas da tarde
e o sol entrava na loja
um cumprimento
uma conversa banal
um pedido prontamente satisfeito
fiquemos aí
para podermos seguir caminho
ainda que eu continue a falar
cá dentro

Autora: Ana Saraiva
Editado por: nicoladavid


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