"Sempre um de nós"


Sempre um de nós

foge. Sombria água

trépida e contínua

água em céu diverso

como diversa eu sou

chão sem flor.

 

Vã palavra, múltipla

palavra, longínqua

semente entre o arco

e a corda. Nada sara

em meu cego corpo

eu que imagem sou,

não alegoria.

 

Tremor antigo, árvore

sem fruto, nada resiste

nesta cidade sem casa

- só a garça chega em seu

liso voo porque o tempo

nunca é longo.

 

Autora: Ana Marques Gastão
Editado por: nicoladavid


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