"Pela noite à eterna dor se chega"


Pela noite à eterna dor se chega

cruel é a terra, diversa terra

quando teu rosto se esvai

e a névoa com voz de pranto

cai jamais leve sobre nós.

 

De breve uso, cresce no peito

uma tímida pálida alegria

precioso corpo luz, borboleta

de asas nítidas e tranquilas

que vigia o coração dos mortos.

 

Diz-me secretas brandas palavras

porque sou refúgio e escombro

de um vasto dia, áspero exílio

nas suaves sílabas de precisos

e curvos juncos, clarão sem sol.

 

Desce então pelo fulgor da luz

espírito suspenso em minhas mãos.

A espera é movimento cego.

Desce, sonâmbulo, extenso amor.

 

 

 

Autora: Ana Marques Gastão
Editado por: nicoladavid


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