Chuva de Voz


É chuva de voz, clamor,

xilofone abafado,

ruído em fuga rápida,

castigo chamejante,

chilreada sem dó,

imparável, implacável.

 

Permanente, o barulho

é velado, enevoado,

quase despercebido,

embutido em madeira,

amadurecido,

oiço-o em alta tensão,

 

não já cabeça d’água,

mas biqueira em queda,

abafado extenso timbre

que só a imaginação,

distraída de si,

pode, alada, conceber.

 

Autora: Ana Marques Gastão
Editado por: nicoladavid



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