"Ex-Líbris"


Tomei as cinco chagas para emblema:
Pois trago no meu peito as cinco chagas!
E molho a ponta fina das adagas

No meu sangue, ao escrever este poema!

Vida, passa por mim ! Jamais apagas
A minha voz olímpica e suprema:

A dor não se amordaça, nem se algema,

Quer cante em verso ou se revolte em pragas!

Numa tarde em Judeia os fariseus,

A um doce Rabi, filho de Deus,
Pregaram numa cruz por ser o Eleito.

Então, cerrou-se a noite na montanha,
E as cinco chagas dessa tarde estranha
Abrem hoje vermelhas no meu peito!

 

Autor: Américo Durão
Editado por: nicoladavid

Não esqueça ligar o som. 

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